Jovem paulistano está menos vulnerável à violência urbana Saulo Cunha | 22.5.2007A Fundação Seade divulgou, em 09/05/07, o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) da cidade de São Paulo. Este indicador surgiu no âmbito do Projeto Fábrica de Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura, com o propósito de apontar as áreas da cidade que necessitam da implantação de atividades culturais. Essas ações visam suprir lacunas que redundam na inclusão perversa dos jovens e no incremento da violência. Sua primeira divulgação foi feita em 2002, com dados de 2000. Posteriormente, esse indicador passou a ser usado como referência para outras ações com a juventude, além das culturais.
O IVJ agora divulgado está baseado em dados de 2005 e foi elaborado com os seguintes componentes: nível de escolaridade, gravidez na adolescência e exposição dos jovens à violência urbana. Dada a dimensão de cada um, foi escolhido uma variável para representá-los. São elas, respectivamente: proporção de jovens de 15 a 17 anos que não freqüentam a escola e proporção de jovens de 15 a 17 anos que não freqüentam o ensino médio; taxa de fecundidade das adolescentes de 14 a 17 anos (em cada 1.000 mulheres) e taxas de mortalidade por agressões de homens de 15 a 19 anos (em cada 100 mil homens).
Para a avaliação do município de São Paulo, seus 96 distritos foram distribuídos em áreas de acordo com o grau de vulnerabilidade de sua população à pobreza: áreas pobres, de classe média baixa, de classe média e ricas.
Quando comparado a 2002, o IVJ recém-divulgado revela que a juventude de São Paulo está menos vulnerável à violência em todas as áreas da capital. Numa escala de zero a 100 (em que a vulnerabilidade aumenta do zero ao 100), São Paulo caiu de 70 pontos em 2000 para 51 pontos em 2005. As áreas pobres tiveram decréscimo de 24 pontos, seguida pelas de classe média baixa que registraram 23 pontos a menos. Nas áreas de classe média e rica, que já possuíam IVJ menos elevado, também ocorreu redução, embora menor que nas duas primeiras.
A causa da redução é atribuída a um maior acesso dos jovens ao ensino médio e ao declínio da mortalidade por agressão.
Indiscutivelmente, a situação da juventude brasileira dos estratos menos favorecidos da sociedade é bastante preocupante. Apesar dos progressos verificados nos distritos mais pobres entre 2000 a 2005, os indicadores atestam que a desigualdade social entre os jovens continua bastante elevada na capital paulista.
Como avançar na redução da vulnerabilidade juvenil, especialmente entre as camadas mais pobres da população? O programa “Futuro em Nossas Mãos”, realizado pelo Grupo Votorantim, dá pistas para responder esta pergunta.
No acompanhamento que vem realizando desse programa, a Prattein tem constatado a vulnerabilidade dos jovens mais pobres e a dificuldade para mudar sua situação. Dada a pobreza a que estão submetidos, esses jovens precisam ingressar o quanto antes no mercado de trabalho, como forma de garantir sua subsistência e a de sua família. Favorecidos pela facilidade de ingressar na escola, que tem marcado o cenário brasileiro dos últimos tempos, muitos deles concluem o ensino médio, mas não saem preparados para o mundo do trabalho. Sem condições de prosseguir sua formação, perdem a rota da escola e não conseguem ingressar no mercado de trabalho.
O programa “Futuro em Nossas Mãos” procura enfrentar esse desafio. Destina-se a jovens de 18 a 24 anos, economicamente desfavorecidos, e tem como objetivo sua inclusão produtiva por meio de capacitação profissional e da formação de redes de apoio locais.
Em São Paulo, uma das empresas do Grupo Votorantim - a Cia. Brasileira de Alumínio (CBA) - tem desenvolvido esse projeto com jovens de São Mateus, São Rafael e Iguatemi, na zona leste da cidade. Na distribuição feita para elaboração do IVJ, o primeiro distrito está classificado como de Classe Média Baixa, os dois outros, como Pobres. Os jovens participantes são capacitados pelo Senai na área de serralheria em alumínio e com o auxílio da rede de apoio social, composta por ONG´s locais e empresas parceiras, uma parcela já está inserida no mercado de trabalho.
Avaliação de resultados preliminares do programa, realizada pela Prattein, evidenciou que o maior desafio do projeto não está unicamente na oferta aos jovens de cursos profissionalizantes de boa qualidade, mas realização de um processo cuidadoso de seleção e integração de jovens nos cursos, e ainda na mobilização e estímulo dos mercados locais para a absorção dos jovens.
Nesse sentido, a constituição de redes de apoio local, com participação de ONG’s parceiras, organizações do poder público, empresas ou associações empresariais, vem se mostrando condição essencial para superar dificuldades de aproximação dos jovens às empresas e para estabelecer relações colaborativas nas comunidades, favorecendo um processo de inclusão produtiva sustentável de jovens de baixa renda.
Conheça o Índice de Vulnerabilidade Juvenil da Fundação Seade
Mais informações sobre o programa “Futuro em Nossas Mãos”
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