Projeto: Conviver Local: Pai Pedro (MG)
 Entidade responsável: Secretaria Municipal de Assistência Social de Pai Pedro
O município de Pai Pedro possui o pior Índice de Desenvolvimento Infantil de todo o Estado de Minas Gerais: 0,182 (em uma escala que varia de 0 a 1). Localizado na região norte do Estado, cerca de 72,7% de sua população é rural, formada por pequenos produtores com baixíssima renda. A principal atividade econômica é a agropecuária de subsistência e os produtores dependem de condições climáticas (nem sempre favoráveis) para o resultado das colheitas. Muitas vezes a perda da produção é total, agravando a situação econômica do município e tornando sua população ainda mais carente. A cidade de Pai Pedro obteve emancipação política-administrativa há nove anos e vem trabalhando para conseguir implantar uma infra-estrutura mínima para atendimento à população.
A comunidade de Picada, escolhida para a implantação do projeto Conviver, é uma das mais carentes do município. Tem cerca de 380 habitantes com renda familiar em torno de meio salário mínimo, sendo 99% remanescentes de quilombos. O índice de desnutrição infantil em crianças de 0 a 10 anos é bastante alto. As moradias são inadequadas (a maioria de pau-a-pique) e há carência de serviços básicos.
Pode parecer conto da tradição popular ou alguma lenda envolvendo guerreiros e heróis africanos trazidos à força para a América. Mas não é. Os quilombolas mantêm muitas comunidades espalhadas pelo Brasil, cujo dia-a-dia não mudou quase nada nos últimos 200 ou 300 anos. Sua condição de excluídos socialmente ainda os limita a morar em casas de pau-a-pique, sem energia elétrica, água tratada ou coleta de esgoto. Suas crianças ainda perambulam descalças e desnutridas. É assim em Picada, no município de Pai Pedro.
Mas, no final de 2004, a captação de recursos pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente possibilitou a implantação de um Centro de Convivência Familiar. Os recursos foram destinados ao Fundo Municipal pelo Programa Amigo Real – uma iniciativa dos funcionários do ABN AMRO REAL.
Trinta e seis crianças, todas de origem quilombola, selecionadas através de um trabalho que envolveu visitas a todos os domicílios da comunidade, encontram agora um espaço e condições apropriadas para o seu desenvolvimento. Oito delas sequer dispunham de certidão de nascimento e sete apresentavam forte indicação de desnutrição. A infra-estrutura criada permite o desenvolvimento de trabalhos voltados ao fortalecimento das famílias.
Com o Centro de Convivência Familiar em funcionamento, o desafio para 2006 é qualificar e aprimorar o atendimento para buscar reduzir as vulnerabilidades das famílias. Assim, além de implantar um bom projeto de educação infantil na localidade, a proposta inclui atividades para o desenvolvimento do universo informacional, de habilidades e de competências que promovam alterações significativas na qualidade de vida das famílias, ao mesmo tempo respeitando e valorizando a cultura quilombola. Diversas ações estão sendo planejadas envolvendo a preservação da cultura e a geração de renda para as famílias.
Contato: (38) 3831.8103
E-mail: ppedroas@uai.com.br
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